"O EVANGELHO DO QUAL ME ENVERGONHO"

Tenho me sentido em demasia envergonhado à medida que recebo notícias do meio eclesiástico. Quantos e quantos escândalos, calúnias e denúncias acerca de pastores, pregadores e cristãos de reconhecimento midiático! Isso tem se tornado uma frequente nos noticiários e em círculos cristãos. O evangelho deveria ter seus conceitos e considerações copiadas e seguidas por este sistema mundano. Entretanto, muitos buscam adequá-los às técnicas e princípios pagãos.
Considerando todos esses fatos, às vezes me sinto envergonhado de ser identificado como “cristão evangélico”; esclareço que, não tenho vergonha de seguir o meu Salvador Jesus, me sinto envergonhado pelo rumo que tomou sentido de “evangélico” como “seguidor de Cristo”, como “membro da sociedade cristã”, pois percebo, (e isso não é novidade) que nossa sociedade protestante deixou de honrar o termo “protestante” a muito tempo, para se ajustar aos moldes de um meio totalmente corrupto e leviano. Não é preciso citar nomes ou falar de programas com títulos evangélicos; basta apenas lermos os jornais, assistirmos televisão ou irmos a alguns cultos em pequenas igrejas ou mega-igrejas para constatarmos este fato. Hoje eu entendo alguns dos sentimentos verberados pelo Pr. Caio Fábio, quando disse que tinha desistido da igreja evangélica brasileira, por entender que a mesma tornou-se um sistema incurável e que não gostava mais do evangelho, tornando-se pagã não gostando mais da verdade.
Quando ouvi estas palavras pela primeira vez, passei a sentir uma certa aversão a tudo que vinha deste homem de renome na sociedade evangélica, pois não acreditava que uma sociedade que eu considerava “sociedade de contraste” estivesse se corrompendo com princípios hedonistas e individualistas de forma tão abreviada. Hoje, homens com títulos de pastores que tinham em seu currículo a vergonha como prioridade, tornaram-se homens desavergonhados em quase todos os sentidos; perdeu-se o brio; a nobreza e a honestidade têm se afastado de círculos ou ambientes pastorais.
Estou envergonhado por ouvir pastores e pregadores que em seus programas usam a expressão “me ajude com sua oferta” por no mínimo dez vezes.
Estou envergonhado com um evangelho pregado aos ricos que querem se enriquecer ainda mais.
Estou envergonhado com pregadores que só pregam em nossas igrejas se desembolsarmos valores no mínimo, gritantes e soberbos. Sinto-me envergonhado de encontrar-me com pastores dentro de seus carros importados comprados com o dinheiro da igreja ou comunidade em que presidem. Isso me faz lembrar acerca da vida exemplar e simples que Jesus levou. E quando me lembro disso, logo vem o questionamento e me pergunto. Será que é tão difícil viver uma vida cristã modesta ou barata?!
Envergonho-me com líderes eclesiásticos que mercadejam os milagres do Senhor Jesus nos cultos que dirigem. Com pastores e pregadores que trocam uma série de objetos (amuletos) “ungidos”, com a promessa de cura e outros, e tudo isso por uma boa “oferta de amor”. Será que, tudo que provem do evangelho deve ser comercializado para que seja revertido em sustento e manutenção da obra de Deus?
Sinto-me envergonhado de participar de eventos evangélicos onde as adjacências do Templo ou local do evento se tornam verdadeiros centros mercantilistas, onde caixeiros ambulantes, camelôs e outros, mercadejam seus objetos. A casa de Deus e suas imediações tornaram-se verdadeiros logradouros de sonegadores de impostos, de vendedores de produtos pirateados e contrabandeados.
Onde estão os pastores, os profetas, pregadores e líderes para derribarem as bancas e exortarem seus cambistas como fez nosso Jesus ao entrar no Templo em Jerusalém?! É… Não o fazem. E sabemos que não o fazem porque se tornaram cúmplices da avareza e do luxo, da ganância por “mais e mais” à medida que engordam seus bolsos e seus cofres. Pastores que se entregam de corpo e alma por não aceitarem mais viver sem eira nem beira.
Sinto-me envergonhado pois hoje já não recebo mais pedradas por ser evangélico, e sim moedas. Já não sou mais levado para fogueira ou para o cárcere, e sim para os palácios e círculos sociais de elite.
Sinto-me envergonhado de ser evangélico pois já não sou mais tido como a escória da sociedade, mas como alguém que está inserido e cooperando com um sistema sociológico que, entende ser bom participar de um ambiente grupal que contribui para o bem de todos.
Sinto-me envergonhado por perceber que, não somos mais leigos e iletrados como foram alguns apóstolos e muitos dos pais da igreja primitiva e medieval, e sim, louvados e reconhecidos pela cátedra e pelos títulos acadêmicos acumulados ao longo dos anos cristãos.
Envergonho-me por reconhecer que a busca pelo “Conhecimento” por parte de muitos líderes cristãos tem se baseado no acúmulo de títulos, na ascensão do próprio homem e em uma melhor colocação na sociedade eclesiástica. A única coisa que permea a minha mente quando medito nestes fatos é oantropocentrismo, o hedonismo e o individualismo, que são sentimentos filosóficos mundanos e malignos.
Sinto-me envergonhado por ver que o cristão, que se denominava protestante, já não protesta mais.
Envergonho-me ao encontrar-me com “cristãos concordantes”. Sim! Com esses cristãos fracos e frouxos, que não tem coragem de dizer “não!”, “já chega!”, “basta!”, a este sistema paganizado pérfido que vem incutindo valores amorais e profanos em nossas igrejas.
Envergonho-me com esses cristãos atores, já que são apenas uns bandos de pessoas que sabem fingir, um bando de títeres patéticos que não tem firmeza bíblica ou espiritual, e que ao invés de defenderem os interesses do Reino de Cristo, defendem seus próprios interesses e os de uma sociedade sem pudor e com valores morais deformados.
Sinto-me envergonhado desse espírito de falsa humildade que permea as tribunas evangélicas, uma humildade dissimulada que aceita elogios e recebe as glórias de outros, que concordam em serem chamados de “bom” , de “santo homem de Deus”, de “cheio do poder de Deus”, de “grande pregador” e outros títulos. Parece que muitos não estão compreendendo as Escrituras quando a lêem, uma vez que não entendem o que Cristo queria nos ensinar em Mateus, capítulo 23, versículos 8-12 e outras passagens como, Marcos, capitulo 10, versículos 42-45.
Sinto-me envergonhado quando, ao tentar pregar o evangelho, por vezes recebo críticas ou passo por supressões de evangélicos e pagãos, ao me questionarem quanto ao procedimento leviano, desdourado e desonesto de irmãos que se dizem servos de Deus mas o negam pelas suas obras más.
Sinto-me envergonhado por saber que existem líderes como, pastores e presidentes de ministérios cristãos que acobertam a pedofilia, o incesto, o estupro, a fornicação, o adultério, a falta de afeto natural e outras leviandades praticadas por diferentes companheiros ministeriais ou membros de importância em suas igrejas.
Sinto-me envergonhado do evangelho que assisto atualmente, porquanto não é o verdadeiro evangelho que Cristo gostaria que recebêssemos, não é genuíno em seu conteúdo, uma vez que alguns, vêm deturpando e suprimindo interpretações bíblicas em função de suas próprias conveniências. Que evangelho é esse, que vem sendo manipulado por seus pregadores e evangelistas. Que evangelho é esse, em que seus anunciadores deixaram de praticá-lo por amor ao próximo, mas, muito mais por amor a si mesmos e de suas próprias concupiscências. Não… …! Definitivamente isso não faz parte das boas novas que o Senhor queria nos ensinar.
Sinto-me envergonhado por saber que muitos líderes em nosso meio, vem se mordendo uns aos outros, em reuniões de portas fechadas, para ver quem toma a cadeira de presidente de suas denominações.
Sinto-me envergonhado, não por não ser praticante de tais escândalos para o evangelho, mas sim por não conseguir fazer o suficiente como pastor, teólogo e apologéta que sou.
Sinto-me envergonhado por não conseguir em meu dia a dia realizar o bem que eu tanto quero, mas o mal que eu não quero, esse faço. (parafraseando Paulo – Rm 7.19).
Sim, é assim que eu me sinto, envergonhado por saber que o nosso evangelho tornou-se algo inaparente. Infelizmente, tudo que temos presenciado, como expectadores e coadjuvantes dessa história, tem nos mostrado que a igreja tem perdido sua “cara” de santidade, de abnegação, de entrega, de amor ao próximo e de sociedade de contraste.
Muitos têm se apostatado da fé genuína, dando ouvidos a idéias paradoxais às Escrituras Sagradas. Tais sentimentos e algumas práticas eclesiásticas vem tornando o evangelho ineficaz em vários segmentos. Entendo que estes fatos são prenúncios de uma nova apostasia que adentra as portas da igreja evangélica no Brasil. É vergonhoso saber que muitos não conseguem voltar a viver na práxis o significado original do que é ser “protestante”.
Muitos ao lerem este artigo, podem considerar meus argumentos como radicais e intransigentes, supondo que eu esteja com reações de pirraça ou aversão aos que se chamam crentes ou líderes eclesiásticos, ainda outros deduzem que eu esteja me opondo ao consenso geral. Mas urge dizer que nem sempre a opinião da maioria deve ser considerada como verdadeira.
Enfim, julguemos pelos exemplos da vida, e pelas experiências eclesiásticas, para que as próprias conclusões possam surgir. Já dizia um velho provérbio: “O homem que quer ser sábio, não deve apenas ouvir,deve também observar”; logo, nem sempre as coisas que ouvimos podem ser tidas como verdades ou seguidas sem questionamentos.
Sejamos observadores das Escrituras, aprendendo dela para expormos suas verdades na praticidade da vida, não sendo como uma igreja acomodada a essa sociedade vigente, que definitivamente não é a que Jesus queria.
É difícil se posicionar dizendo estas coisas, mas peço esperanças e entendo por parte do Espírito que se quisermos, esses lances de insanidade e demência espiritual não permanecerão e não avançarão para a bancarrota, pois se assim continuar muitos se verão como eu, decepcionado e envergonhado com o “evangelho” atual.
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